9 de mar. de 2010

O Viajor Eterno

- Aonde vai este pobre viajor?
Indagou o senhor sentado em sua cadeira com tranças em fios de plástico perfeitamente encaixado um ao lado do outro, exatamente seguindo a ordem do vai e vem, e realmente tudo que vai vem, inclusive o homem em que ele acaba de avistar.
- Por onde já andou este pobre rapaz? Passou fome ou frio? Quantas mulheres o amaram? Talvez nenhuma? Quem gostaria desse trapo humano? Coitado dele? Eu assim já sofro imagino ele, passando fome, frio, já usou muita droga? Brigas, acredito eu aos milhares, bebedeiras intermináveis, tudo isso pra que? Serviu de alguma coisa? Qual exemplo deres a seu filho? Se bem que Isto não tem condições para isso...
E nisso as suposições tomarão seus pensamentos de tal forma, que ele as tomou como sendo verdade a verdade real. Realmente ele criou uma verdade, a dele claro, não a do viajante, mais a própria, enraizada até o âmago de sua existência. Tomou pra si uma vida a qual não lhe pertencia julgando sobre sua perspectiva mundano-social, adquirida há anos através da preguiça humana, aquela que não quer ver o processo mais sim o fim, a realização instantânea – comum claro em tempos de macarrão instantâneo até mesmo sexo instantâneo.
E no entanto o andarilho avista o velho e pensa:
- Mais a vida é engraçada! Uns viajam sem rumo, outros adoraria encontrar um rumo, vários encontraram! E tem aqueles ainda pensando estar no rumo, batem desenfreadamente no muro, por que na menor pedra fazem dela o maior obstáculo em todo o seu mar. Mar este, existido para a navegação calma da consciência conhecedora de suas fraquezas. Seja ela física ou emocional no fim tudo da no mesmo. Se bem analisados acharas uma abertura, agora do oposto só vejo o que não quero ver, ou melhor não vejo nada, aposto que muitos também não enxerga nada. Pobres daqueles quando verem o real, veraz nada e mais nada que não leva a nada e sentiram asco de uma vida desperdiçada em nada. Eu que pouco tenho, tenho tudo. Agora o que tem este velho em sua cadeira? Prefiro nem saber, não foi esta vida que escolhi para mim. Vou viajar vivenciar tudo o que puder, pois o tempo e o espaço são da Lei e são também para o nosso usufruto, planto hoje colho amanhã, e assim colherei os melhores frutos. E os podres que fiquem com os vermes o qual tanto desejaram. Afinal temos a vida...
Passou então o viajante com seus pensamentos rumo ao alto monte, sabendo que é um caminho difícil, mais não impossível, disponível a todos sem exceção. Enquanto o senhor ia se retirando de mais uma analise cotidiana e rotineira de sua vida avistada nos outros, pois seus defeitos se refletiam nos viajores aos quais encontravam no caminho.

Um comentário:

  1. liiiiiiiiiiiiiiindoooooooooooo irmaummmmmmmmmmmmmmmmmmmmm , vc eh meu irmao em letrasss sniff snifff, vc eh meu tolstoi em quanto sou dostoiévski mais perdido, mas no fundo damos em dosTolstóiévski. te amo ermaum.tenho orgulho de vc, os frutos estaum sendo recolhidos em cada frase . caminho eh longo pra nos dois ainda viajor, mas fabulinha fabulante fabulosa.

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